Cooperativa-escola de alunos das escolas técnicas. Centro Paula Souza. Brasil

País: 
Brasil
BR
Alcance geográfico: 
Local
Fecha ejecución inicio: 
1994
Fecha ejecución fin: 
2012
Objetivos: 
  • Educar os alunos dentro dos princípios do cooperativismo e servir de instrumento operacionaldos processos de aprendizagem através da viabilização das atividades produtivas;
  • Co-responsabilizar os alunos pelos Projetos Agropecuários, da sua elaboração até o suprimento da Escola e a comercialização dos excedentes de produção.
  • Integrar a Escola com a comunidade rural através da prestação de serviços, extensão rural e atividades sócio-culturais.
  • Garantir maior flexibilidade administrativa da unidade escolar através do gerenciamento, pela Cooperativa-Escola, dos recursos físicos e materiais, da produção e da comercialização.
  • Realizar a comercialização dos produtos agropecuários decorrentes do processo de ensino e aprendizagem, bem como a prestação de outros serviços da conveniência do ensino e do interesse dos associados. (Res. CNC 23/82).
Población objetivo: 

Alunos de 35 escolas técnicas que oferecem cursos na área agropecuária.

Descripción: 

As Coperativas-Escola de Alunos são empresas cooperativaslegalmente constituídasem cada uma das ETECs, cujos associados são os alunos, podendo também dela participar funcionários e professores.

Fundamentam-se na Lei nº 5.764 (Lei do Cooperativismo no Brasil), e tem seu funcionamento garantido pela Resolução CNC 23/82(que autoriza o funcionamento de cooperativas-escola nas escolas agrotécnicas, e a participação societária de alunos menores de 18 anos).
No âmbito do Centro Paula Souza as Cooperativas-Escola têm seu funcionamento autorizado pela Deliberação CEETEPS 17/94, e sua operacionalização é normatizada pelo Convênio CEETEPS /Cooperativa-Escola e pelo Estatuto Social.

A estrutura da Cooperativa conta com os seguintes órgãos sociais para administração e fiscalização, cujas atribuições estão detalhadas no Estatuto Social:

  • Assembléia Geral: São todos os cooperados, cabendo-lhe a tomada de toda e qualquer decisão de interesseda Sociedade. É de competência da Assembléia Geral a eleição e/ou destituição dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal e do Comitê Educativo.
  • Conselho de Administração: É responsável pela administração da Sociedade, sendo composto por 5 (cinco)cooperados, escolhidos pela Assembléia Geral. Seu mandato é de 12 meses.
  • Conselho Fiscal: Sua composição obedece ao estabelecido em legislação (três titulares e três suplentes). Fiscaliza as operações, atividades e serviços da Cooperativa acompanhando, analisando e avaliando os saldos, balanços, balancetes e o cumprimento das exigências e deveres da Sociedade junto aos órgãos tributários.
  • Comitê Educativo: É uma comissão permanente de associados que tem por objetivos, entre outros, levar ao Conselho de Administração as reivindicações e sugestões dos associados, repassar aos mesmos as decisões tomadas pelo Conselho de Administração e elevar o nível de conhecimentos tecnológicos e cooperativistas do associado. É composto por três alunos de cada classe, escolhidos pelos seus pares.
  • Comissão Técnica de Apoio e Execução (COTAE): É composta por 6 (seis) alunos, eleitos pelos associados até 72 horas após a realização da Assembléia Geral Ordinária -AGO, para o mandato de um ano com as atribuições de assessorar o Conselho de Administração e colaborar na execução das atividades.
  • Professor Orientador: De fundamental importância para a viabilização da Cooperativa, é o responsável pela coordenação das atividades entre a Escola e a Cooperativa-Escola e pela orientação dos alunos na sua administração.
Factores clave: 

O projeto desenvolve-se em 35 ETECs, e podemos constatar diferentes resultados, tanto no plano econômico como social e pedagógico. Um dos fatores para a evolução do projeto é o ambiente organizacional da escola: onde existe um diretor que acredita e aplica práticas de gestão democrática e participativa e uma equipe comprometida, verifica-se uma Cooperativa-Escola de Alunos mais consolidada.É também um fator importante a decisão institucional de proporcionar às escolas a oportunidade de adotar um projeto que desse um sentido ao trabalho escolar, integrasse teoria e prática e estimulasse os alunos para o desenvolvimento de competências pessoais (liderança, responsabilidade, cooperação) e profissionais (gestão, planejamento).Para que o projeto se desenvolva satisfatoriamente em cada ETEC, é fundamental a atuação do professor orientador da Cooperativa-Escola, que deve ser um profissional conhecedor da doutrina cooperativista capaz de orientar os alunos e integrar o educacional e o produtivo, estimulando e incentivando a participação dos alunos.

Evaluación: 

O projeto Cooperativa-Escola, implantado pelo Centro Paula Souza nas Escolas Técnicas Agrícolas, contemplou na sua concepção os dois segmentos básicos das sociedades cooperativas: o social e o econômico. O social focaliza a qualidade na formação do técnico agrícola, ampliando suas capacidades de gestão ao participar de todas as fases dos projetos e de trabalhar em grupo e liderar, além de proporcionar qualidade de vida na escola e na residência, através da educação cooperativista. O econômico, por sua vez, visa a agilização dos procedimentos administrativos na gestão da fazenda na qual a escola está localizada, contando com o aumento da eficiência produtiva dos projetos e a comercialização dos excedentes de produção para re-aplicação em novos projetos e na manutenção do sistema de residência.

Considerando o contexto econômico, político e cultural em que as ETECs estão inseridas, não causa surpresa constatar que o econômico está consolidado e que a Cooperativa-Escola proporciona autonomia suficiente para a formação de parcerias, a melhoria das condições produtivas através da aquisição de bens, equipamentos e insumos adequados e a agilização na tomada de decisões para definição/flexibilização dos projetos agropecuários.

Quanto ao segmento social, configura-se como o grande desafio não apenas das Cooperativas-Escola, mas do cooperativismo em geral, uma vez que o emergencial (a sobrevivência) e o prioritário (a educação e a formação de novas gerações cooperativistas) nem sempre são colocados no mesmo nível.
A educação cooperativista promove a organização social solidária, desde a escola até a vida profissional, instrumentalizando o jovem para o enfrentamento das dificuldades que surgirão no seu ambiente de trabalho e, principalmente, subsidiando-o para atuar e propor alternativas que permitam a organização e o desenvolvimento dos pequenos e médios produtores rurais em suas áreas de ação.
A melhoria na qualidade de vida, traduzida por alojamentos bem cuidados, boa alimentação e taxa de residência acessível à maioria configura-se, da mesma forma, em atendimento às demandas dos cooperados.

Integrar o econômico consolidado com o social ainda a consolidar deverá ser uma tarefa que não poderá ser assumida apenas pelo professor da disciplina de Cooperativismo, ou pelo professor orientador da Cooperativa-Escola. Não serão suficientes, tampouco, todos os professores, se não contarem com o comprometimento dos gestores escolares.

Inúmeros desafios se apresentam diante o projeto: vencer a cultura individualista é um dos primeiros e mais difíceis de serem vencidos; o limite de idade dos alunos para cargos de direção na cooperativa(imposto pelo Código Civil Brasileiro); a própria estrutura burocrática e organizacional das escolas são alguns dos aspectos limitantes para que o projeto idealizado se concretize plenamente.

Resultados: 

Embora não se tenha uma avaliação institucional sistematizada do projeto, são realizados anualmente encontros com os professores orientadores para apresentação de boas práticas da Cooperativa-Escola e de experiências de sucesso das ETECs.

Existem também manifestações dos diretores nos relatórios anuais, reportando-se ao desenvolvimento do projeto em suas respectivas Unidades.

Os resultados relatados a seguir não representam necessariamente a totalidade das Cooperativas-Escola, mas são aspectos relatados pelos professores e diretores:

  • Técnicos com visão administrativa
  • Espírito cooperativo
  • Empreendedorismo / iniciativa / criatividade / autonomia
  • Sustentabilidade / produtividade / eficiência dos projetos agropecuários
  • Qualidade de vida refletida no sistema de residência de alunos
  • Qualidade de ensino com ambientes técnico-produtivos atualizados, acervo didático, visitas técnicas.
  • Alunos participando de todas as fases do processo produtivo : desde o planejamento até a comercialização e a análise dos resultados.
  • Tecnico agrícola atuando junto a cooperativas e associações de produtores rurais.

O projeto iniciado em 6 escolas foi replicado em mais 29 escolas. Aexperiência foi apresentada em outros estados e países, pela sua replicabilidade. Depende de adaptações às características institucionais e à legislação de cada país/estado pois a proposta implica na formação de uma cooperativa nos moldes legais, como empresa constituída. Em nível de Centro Paula Souza, há interesse de escolas não-agrícolas em desenvolver o projeto, mas ainda não se consolidou nenhuma experiênciadiante de dificuldades em viabilizar a produção destas escolas.

Financiamiento: 
No período de 1994 a 1999 foi realizada parceria com a Fundação VITAE, para o desenvolvimento do projeto-piloto em 6 ETECs. O Centro Paula Souza é responsável direto pela remuneraçãodos professores e funcionários que atuam nas escolas, e que também estão envolvidos nas cooperativas. A Cooperativa-Escola e o Centro Paula Souza assinam convênio, no qual o CPS faz a cessão de uso das terras, instalações, máquinas, equipamentos, animais de produção e mobiliários necessários para o desenvolvimento dos projetos agropecuários, e a Cooperativa-Escola se torna responsável pela manutenção dos bens, produzindo para a alimentação dos alunos e a manutenção dos projetos produtivos e didáticos. A geração de recursos é feita pela Cooperativa-Escola, com a comercialização dos excedentes de produção para o mercado local e regional. Diante da autonomia proporcionada pelo Projeto, cada Unidade tem condições de buscar parcerias e financiamentos, através desua Cooperativa-Escola. Assim, podemos relatar parcerias entre Cooperativa-Escola e Fundação VITAE para implantação de Laboratórios e Projetos de Agroindústria, Bovinocultura de Leite etc, com Sindicatos Rurais para produção de mudas frutíferas, entre outras, e que resultam em melhorias para os setores técnico-produtivos e consequentemente para o processo de ensino-aprendizagem e o desenvolvimento de competências pelos alunos.
Información de contacto: 
Eva Chow Belezia Tel.: (55 11) 3327-3176 E-mail: [email protected]; [email protected]